Operação combina mais de 130 mil ingressos para imersões de inteligência emocional, R$60 milhões investidos e reconhecimento internacional que coloca o desenvolvimento humano no centro da discussão sobre desigualdade de oportunidades no Brasil.
Inteligência emocional, repertório e ferramentas de autoconhecimento costumam circular num mercado caro e restrito. Quem tem acesso à formação continuada ao longo da vida avança; quem não tem, permanece preso a trajetórias estreitas de qualificação. Essa assimetria, menos visível do que a renda ou a escolaridade, virou alvo de uma operação que aposta em escala e acesso como contraponto à lógica de exclusividade.
À frente do Instituto Brasileiro de Coaching, José Roberto Marques construiu uma das maiores estruturas de desenvolvimento humano do país. Na frente social dessa operação, o IBC afirma ter destinado 130 mil ingressos a imersões presenciais de inteligência emocional e desenvolvimento humano, um investimento estimado em R$60 milhões. A trajetória ganhou enquadramento institucional recente com a condecoração de Diplomata Civil Humanitário, concedida pela Jethro International.
“Desenvolvimento humano é o maior equalizador social que existe. Quando alguém descobre suas capacidades, entende suas emoções e aprende a liderar a própria vida, a desigualdade perde força. Não existe ferramenta mais poderosa contra a pobreza do que o autoconhecimento”, afirma José Roberto Marques.
Conexão com a agenda global
A iniciativa converge com o ODS 4 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4) da ONU, que prevê educação inclusiva e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, com foco em jovens e adultos. Quando o desenvolvimento humano deixa de ser evento pago e passa a funcionar como formação contínua, ele entra no mesmo debate de inclusão que normalmente ocupa políticas públicas.
A ligação com o ODS 10, voltado à redução das desigualdades, também é direta. O relatório global de 2025 sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável registra que a participação da renda do trabalho no PIB global caiu de 52,9% em 2015 para 52,3% em 2024, sinal de que parte relevante dos ganhos de produtividade não chegou ao bolso de quem trabalha. Ampliar acesso a repertório e a capacidades transferíveis funciona, nesse quadro, como forma de compensar assimetrias que o mercado sozinho não resolve.
O diagnóstico da OCDE
Um levantamento da OCDE ajuda a explicar por que a discussão importa. Adultos de origem socioeconômica mais favorável participam com mais frequência de treinamentos de maior valor, como gestão de projetos, idiomas e competências analíticas. Já quem vem de contextos menos favoráveis aparece mais concentrado em formações de tarefa ou conformidade. A diferença, segundo a organização, cobra preço real na progressão de carreira e na requalificação. Abrir acesso a liderança e inteligência emocional é mexer nessa equação de um ângulo que o ensino formal raramente cobre.
Escala e sustentabilidade
“Os 130 mil ingressos não são caridade. São investimentos no futuro. Cada pessoa que passa por uma imersão do IBC sai transformada e transforma sua família, sua equipe, sua comunidade. O efeito multiplicador é o que torna isso sustentável”, diz José Roberto Marques.
Em um setor onde exclusividade e ticket alto são sinais de valor, o modelo do IBC aposta que escala e acesso não são contraditórios. Num país ainda atravessado por barreiras de origem, renda e repertório, democratizar o desenvolvimento humano é uma escolha de negócio e, ao mesmo tempo, uma declaração de onde se quer chegar.



















